[CIFS] Vers le FSM de Belem
Christophe Ventura
christophe.ventura at gmail.com
Fri May 30 01:03:08 CEST 2008
POUR INFO
Chers amis et amies,
>
>
> Le colloque "L'avenir de la démocratie en Amérique latine. Mouvements
> sociaux, mouvements politiques" a été ouvert ce matin à Belem par la
> gouverneure de l'Etat amazonien de Para, Ana Julia Carepa. Ce colloque est
> co-organisé par le service des relations internationales de l'Etat et
> l'association française Mémoire des luttes.
>
> En introduction à cette rencontre, la parole a été donnée à Daltro Paiva,
> coordinateur du développement institutionnel de l'ONG APACC, elle-même
> membre du groupe d'organisation du FSM 2009 (27 janvier-1er février) au
> titre de la coordination nationale brésilienne ABONG. C'est en effet à Belem
> que se tient le prochain Forum social mondial.
>
> Vous trouverez ce très intéressant texte (en portugais) dans le fichier
> joint et ci-après.
>
> Dans les prochains jours, une traduction en français sera postée sur le
> site de Mémoire des luttes (medelu.org) avec l'ensemble du programme et
> certaines des interventions, dont la mienne.
>
> Bien cordialement.
>
> Bernard Cassen
>
> SAUDAÇÃO AOS PARTICIPANTES
>
> DO COLÓQUIO INTERNACIONAL
>
> O FUTURO DA DEMOCRACIA NA AMÉRICA LATINA.
>
> Daltro Paiva[1] <#11a36ea3f4cf7d79_11a35f78987fd35c__ftn1>
>
> Companheira Ana Júlia,
>
> Companheiras e companheiros,
>
>
>
> Ao saudar cada uma e cada um dos lutadores sociais que se encontram
> presentes, assim como aqueles e aquelas que se dedicam à construção de um
> pensamento científico vinculado às lutas concretas dos povos explorados de
> todos os continentes, trago comigo o abraço e o carinho das organizações que
> compõem o Comitê Facilitador do FSM 2009, juntamente com a Associação
> Brasileira de ONGs. São elas: Articulação de Mulheres Brasileiras,
> Articulação Brasileira de Mulheres Negras, Conselho Pan Amazônico, CUT,
> Fórum da Amazônia Oriental, MST/Via Campesina, Grupo de Trabalho da
> Amazônia, Marcha Mundial de Mulheres, Rede de Educação Cidadã, União das
> Universidades da Amazônia, União Nacional dos Estudantes*, *União da
> Juventude Socialista.
>
> Ao saúdá-los, não posso deixar de fazer referência igualmente às
> expectativas em relação a este colóquio internacional:
>
> Primeiramente quanto ao seu método, pois se estamos pensando em um colóquio
> então vale a pena lembrarmos de Paulo Freire que ao propor a pedagogia da
> pergunta nos apontava que mais importante do que as respostas, são as
> perguntas, na medida em que estas geram respostas que possibilitem novas
> perguntas.
>
> Aponto então algumas perguntas passíveis de serem colocadas neste colóquio
> como possibilidades de reflexão:
>
> 1. Que este colóquio abra a possibilidade de pensar o poder dentro do
> contexto da emergência de governos com lideranças advindas de partidos de
> esquerda ou ao menos de partidos que fogem à matiz conservadora. Colocar
> esta questão em debate é refletir sobre em quê medida efetivamente este
> ascenso ao governo central dos países latino-americanos tem gerado condições
> de reconstrução do poder institucionalizado nas estruturas do estado,
> impulsionando movimentos qualitativos na configuração de governos realmente
> democráticos e populares.
>
> 2. O desafio de identificar o quanto as relações entre o estado e a
> sociedade civil têm se tornado complexas dentro deste contexto, na medida em
> que amplos setores do movimento social combativo se reconhecem nos governos
> centrais de seus países, ao mesmo tempo que identificam contradições nestes
> mesmos governos. Neste sentido significa depurar sob que matriz são
> retomados temas centrais como a revalorização da questão nacional, o Estado
> como agente indutor do desenvolvimento, o tema do planejamento na economia e
> principalmente, o papel político da representação funcional nos aparatos de
> representação da sociedade civil na estrutura dos governos, pois muitas
> vezes estes cumprem o papel de medidores das relações entre o Estado e a
> sociedade civil organizada.
>
> 3. De caráter ainda mais desafiador é pensar a nós mesmos. Que este
> colóquio seja um espaço privilegiado dos movimentos políticos e dos
> movimentos sociais de esquerda exercitarem a capacidade de auto-crítica, ao
> mesmo tempo em que identificam os novos sujeitos políticos emergentes no
> cenário mundial.
>
> a) Auto-crítica que não caia no revisionismo simplista que nega a luta de
> classes, que sublima o caráter perverso do capitalismo demarcado pela lógica
> da exploração e mercantilização da vida, mas que afirme a atualidade do
> pensamento revolucionário em uma sociedade marcada pelo paradoxo onde
> pré-modernidade-modernidade-pós-modernidade estão colocada em uma singular e
> muitas das vezes cruel harmonização e aqui faço referência explícita ao
> trabalho escravo e trabalho infantil incorporado na cadeia da produção da
> cana de açúcar e do carvão paras as siderúrgicas, respectivamente.
>
> b) Ao falarmos de novos sujeitos políticos implica em nos questionarmos
> como mudaram as sociedades, as classes, as culturas destas classes sociais e
> suas inter-relações.
>
> 4. Há, seguramente, expectativas quanto ao debate acerca das questões
> amazônicas. Que este colóquio não tenha a Amazônia apenas como o lugar
> espacial onde o mesmo ocorre, mas a Amazônia seja o lugar epistemológico
> onde ele se dá, isto é, ousarmos em pensar a Amazônia não apenas
> reconhecendo sua diversidade geográfica, étnica, cultural e sócio-política –
> e aí cabe falarmos em Amazônias -, mas igualmente considerarmos o pensamento
> científico e os saberes populares aqui construídos e articulados como
> constitutivos das análises que fazemos sobre as questões Amazônicas.
>
> 5.Certamente os desafios e as expectativas são muitas, mas elas não superam
> o acúmulo histórico de nossos povos na luta por uma sociedade de mulheres e
> homens libertos, não são maiores do que a firmeza na construção cotidiana do
> socialismo. Firmeza que se expressa nas ações de massa, no trabalho de
> organização de base, assim como no anonimato do mundo da reprodução da vida,
> mas que se alimenta da generosidade fundada na utopia de uma nova sociedade.
> Assim, este colóquio também poderá cumprir o papel de reafirmar sonhos de
> liberdade e justiça, sonhos de uma vida plena de sentidos.
>
> Companheiras e companheiros, vocês que vieram de longe e àqueles que são de
> perto, sintam-se em casa, que estes dias já sejam a experiência de pensar o
> mundo desde o chão e os povos da Amazônia, que vocês se encharquem do nosso
> jeito de ser, que dialoguem com nosso pensar a sociedade e o mundo, que
> vocês bebam de nossos sonhos e, acima de tudo, que vocês cada vez mais se
> unam às nossas lutas por um outro mundo possível, por uma outra Amazônia
> possível.
>
>
>
>
>
> ------------------------------
> [1] <#11a36ea3f4cf7d79_11a35f78987fd35c__ftnref1> Coordenador de
> Desenvolvimento Institucional da ong APACC / Membro do Grupo de Facilitação
> do FSM 2009 (Comitê Local), em representação da ABONG.
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